Fala do Leitor
Barulho
Sou moradora do bairro da Vila Mathias, em Santos, e venho por meio desta carta denunciar um fato grave ocorrendo neste bairro. Aproximadamente há dois meses, um terreno baldio que fica de frente para minha residência, na confluência das ruas Lowndes e Silva Jardim foi arrendado pela empreiteira OAS, que fornece mão-de-obra para a empresa Comgás.
De lá para cá, o sossego deste bairro acabou. Não passa um dia sequer, seja sábado, domingo ou feriado, a qualquer hora do dia (inclusive nas madrugadas), funcionários desta empreiteira entram no referido terreno com caminhões de grande porte lotados de entulho (terra, pedras e etc) coletados nas escavações para instalação da rede de gás nos logradouros desta Cidade. Este serviço é executado da seguinte forma: os caminhões entram no terreno e despejam o entulho de suas caçambas causando forte impacto sobre o solo e efetuando um barulho ensurdecedor semelhante a um bate-estaca. Posteriormente este entulho é recolhido durante a madrugada por tratores com pás escavadeiras e munidos de sinalizadores sonoros em alto volume (por volta das 3 e 4 horas).Este entulho é despejado na caçamba de outros caminhões que seguem destino ignorado causando transtornos com a poluição sonora e ambiental, visto que a poeira no entorno do local é algo inimaginável. Isto sem contar os danos causados aos locais de tráfego dos carros próximos do terreno devido à movimentação intensa de veículos pesados.
Percebe-se que as empresas OAS e Comgás desconhecem a legislação vigente e, sentindo-me tolhida em meu direito mais básico (o de dormir) resolvi entrar em contato com a Ouvidoria do município de Santos em 9 de abril deste ano e efetuar minha reclamação por telefone, cujo registro é nº 4095/08. Qual não foi a minha surpresa quando liguei novamente para lá, nos dias 26 de maio e 04 de julho, e recebi respostas para aguardar mais 20 ou 30 dias até a vinda de um fiscal. Nenhuma providência foi tomada até agora.Meu martírio continua, passo as noites em claro sendo vítima de toda a sorte dos barulhos já relatados. Cheguei à triste conclusão de que a Ouvidoria Pública, como o próprio nome diz, serve apenas para ouvir gentilmente os munícipes, sem solucionar os problemas.
Sou uma cidadã honrada, porém moradora de um bairro periférico e que está sendo desrespeitada em seus direitos civis sem que nada seja feito em seu auxílio. Mesmo que esta carta não seja lida, por não se tratar de denúncia de um bairro nobre (Gonzaga ou Boqueirão), ficarei reconfortada pelo sentimento de desabafo.
Marília Correa Costa
Aposentada
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Judô
Sou pai de dois atletas cadastrados na Federação Paulista de Judô (FPJ) e, no entanto, parece não haver responsáveis pela instituição (...). Venho aqui expressar minha indignação com o descaso. Os torneios organizados pela FPJ obrigam todos a ficarem 10, 12 ou até 15 horas esperando em arquibancadas de concreto geladas, sem alimentação adequada acessível no local (ou nas imediações), em ginásios sem a menor infra-estrutura de acomodação, higiene e, porque não dizer, de respeito pelo menos por aqueles que são a engrenagem deste famoso e nobre esporte. Tudo isso por falta de organização da FPJ.
Tenho uma prima que é judoca há 20 anos e sempre foi assim, só sofrimento. A FPJ deveria ter vergonha de negligenciar as pessoas e o judô na comemoração dos 100 anos da imigração dos japoneses, pioneiros da modalidade no Brasil.
Meus filhos treinam em uma das melhores associações de judô de Santos e mesmo com toda representatividade, seriedade, credibilidade e reconhecimento ainda não conseguiram mudar este quadro caótico e triste. As tentativas são quase todas em vão e por muitas vezes resultam no abandono dos aspirantes ao judô.
Quem sabe se já não perdemos um futuro campeão? Quem sabe se as crianças e seus pais praticarão outro esporte acreditando que outras FPJ existam por aí? No mundo em que estamos não há lugar para a incompetência com tanta longevidade, o preço é muito alto.
A exemplo disto, no último torneio realizado no Centro Olímpico de São Paulo, o descaso chegou ao seu limite. Por mais de 15 horas, 2 mil e 500 pessoas se acotovelavam em um espaço que mal cabiam 800. Autoridades do esporte e da Federação Paulista de Judô tomem uma providência. Os pais, os atletas, o judô e os imigrantes agradecem.
Reginaldo Pinto de Oliveira
Munícipe
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